sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Cicatrizes





Algumas vezes nos machucamos e, sangrando vamos recolhendo nossos “pedaços”, que foram deixados na estrada de uma história que não deu certo... Em um passado que se faz presente, por um hoje que se transmuda na desilusão de um incerto futuro!
As cicatrizes por vezes reclamam... Reflexos de uma alma “viva”, ativa, que vibra e grita em um corpo feito para receber os clamores já lançados ao universo... Sem estrelas, sem luar! 
Como nas noites frias de inverno em que se apaga nosso próprio calor e congelamos nossos sentidos em algum ponto do inconsciente!
Cortei-me em afiadas lâminas, as mais sutis, porém, que acompanham os corações mais puros e talvez por isso a dor foi tão intensa!
Mas reconstruir é preciso... E, quando a solidão me faz companhia eu escuto seus conselhos e deles vou me reconstituindo, me renovando, aprofundando minhas raízes e sugando a seiva que me deleita mansamente!

Bruno Garcia




sábado, 25 de janeiro de 2014

Condição





Libertar-me das algemas que me prendem aos grilhões de velhos hábitos, vícios e ignorâncias próprias do ser humano.
Abrir uma pequena fresta da janela carcomida pelo tempo e vislumbrar a luz que se faz presente lá fora, num tempo de festa e votos de renovações!
Despir a minha alma e gritar com plena força dos meus pulmões que eu quero viver cada vez mais intensamente e de certa forma imprudente também, sem medo de correr riscos, pois pisar em falso também redobra a atenção e ensina o contorno certo de caminhos que se insinuam confusos e embaralham vidas!
A pior prisão é aquela que em que vivemos... Acomodados, acovardados, atordoados em nossas memórias pesarosas ou até mesmo de tempos alegres que não voltam mais... O tempo passa, a vida grita, nos chama à realidade que nem sempre é a que queremos ter... Mas que com certeza se fará vencer, através da aceitação e das melhores condições que nosso infinito poder de escolha tem para se fazer presente!
E o fardo pesado poderá se tornar leve; 
O choro convulsivo se reduzirá ao suspiro final do pranto;
A luz está presente, é preciso abrir os olhos e banhar-se sem medo... Eu me entrego a essa condição!

Bruno Garcia

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Profanação




Beijo tuas mãos, pois reverencio o toque com que me profanas o corpo já entregue a teus caprichos místicos!
Tuas palavras ditas no silêncio já não as escuto... Vou sorvendo lentamente, qual vinho antigo que se torna mais saboroso com o passar do tempo e me embriago sem pudores nas doces revelações que me fazem sentir amado!
O teu beijo é carícia profunda que me tira do céu e me joga ao inferno, limita meu êxtase e me faz viajar por entre sensações desnudas, porém concebidas em prazer absoluto!
Bendito seja este sentimento que me intimida, desembaraça, enlouquece e tranquiliza, satisfaz e me refaz!
É neste porto que quero estar ancorado, neste labirinto que quero perder-me e não mais encontrar a saída!
Porque eu vivo em você... Pode ir para onde quiser que vou estar pulsando em seu peito continuamente!
Porque as marcas que se fizeram em nossas almas ficarão gravadas eternamente em outros tempos, outros mundos, como ferro em brasa a machucar delicadamente aquilo que não buscamos, mas que nos dilacera de forma tão ardente e prepotente, a julgar nossos sentimentos de forma tão sagaz e irrecuperável!

Bruno Garcia

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Reencontro





Quando me deparei frente a frente com você, naquela fração de segundos, em que meus olhos encontraram os teus, neles mergulhei intensamente sentindo que estava desbravando sua alma, fazendo uma viagem em sua mente, buscando nos teus pensamentos as idéias mais arrebatadoras e revirando tudo que buscava casar-se com meus próprios ideais!
Seu corpo irradiava tamanhas vibrações que sentia o calor me consumir, queimando os meus desejos secretos, me tentando a entrega total de maiores emoções!
Os carros passando apressados, o som das buzinas e o ensurdecedor burburinho das pessoas conversando se misturando ao ambiente, nada disso fazia com que se dissipasse o meu silêncio interior, minha imobilidade, a magia daquele momento!
Quando teu sorriso brotou espontâneo, meu coração bateu apressado e não sabia se naquele instante morreria, tal a intensidade violenta em que me dispus a senti-lo, parecendo que naquele vazio que nos envolvia ele se fazia escutar também... Pois meu corpo tremia, mas mesmo assim, a serenidade interior lutava contra o medo, querendo ganhar espaço e dominar triunfante!
O toque das mãos foi como um choque da realidade com a ilusão, tudo se desfez instantaneamente e quando dei por mim, já o abraço forte nos envolvia!
E não foi preciso dizer nenhuma palavra; Recostado em seu ombro sentia sua respiração mais ofegante e desejei que o tempo parasse ali, naquele momento, em que ambos sentíamos as mais inexplicáveis sensações!
O choro, no início preso, se soltou por fim e os soluços e lágrimas escorriam por nossas faces, nos banhando em carícias totalmente permitidas e desejadas!
Pois chorar de alegria é como desaguar o sal das lágrimas em um manancial de riquezas prósperas e ocultas!
De seu corpo não queria me separar e também senti a mesma vontade vinda de seus braços que me cingiam a ponto de querer que nos tornássemos um só!
Quando a emoção tão desenfreada se acalmou um pouco, toquei em seus cabelos e os senti macios, o inebriante perfume, o calor de tua pele mais veemente!
O beijo aconteceu. Nossas bocas unidas, nossas línguas entrelaçadas, num frenesi sem fim!
Já não sentíamos medo de coisa alguma... Nosso único receio era que acordássemos de um sonho, o que não aconteceu, pois era tudo real e maravilhoso!
A sua voz grave por fim se fez ouvir, mas, ternamente em meus ouvidos!
E aquele som foi como uma melodia doce, e, ao mesmo tempo forte, determinada!
E então já não falávamos mais de forma a dar de ouvir aos que nos rodeavam e passavam sem sequer notar o momento único e tão esperado!
Eram sussurros, velados, guardados por tanto tempo e que agora tinham sua vez!
Por quanto mais o tempo se passou eu não sei dizer!
Só sei que foram os momentos mais felizes... Em que duas almas que se reencontram, se identificam e se resguardam como o querer perpetuar num santuário não mais particular, toda sua vazão de sentimentos antes revirados e agora girando em sentido organizado, em perfeita sintonia!
Que o teu amor me cubra com o manto da paz há tanto tempo buscado;
Que meu amor te cubra de beijos e finas delicadezas que me permito doar abundantemente!
E, que seja duradouro, mas, construído em alicerces seguros que possam nos conduzir a nada mais que seja preciso fazer ou provar, para se sentir e dizer: EU AMO VOCÊ!

Bruno Garcia

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Fantasia




Vestiu-se toda de festa e adornos mil;
Expressou o seu sorriso mais faceiro e encanto juvenil;
Esperou impaciente e cantou baixinho em meio à orquestra varonil;
Por fim junto ao copo vazio viu se aproximar a solidão e irremediavelmente a desilusão;
Aí cantou a passarada, iniciando com a alvorada o raiar de mais um clarão;
O salão vazio como por encanto a tomou nos braços, corpo já quase desfalecido e, a rodopiou em uma dança frenética e inesperada;
E no seu longo pranto cintilaram gotas que já não eram do orvalho;
Desfez-se em poesia e caíram por terra os graciosos enfeites de outrora;
A ausência tão sentida, igualmente retraída se despiu em meio à dor;
E no leito perfumado, o corpo nu, branco e macio, recaiu exasperado;
O amor não veio ou não veio o objeto amado?
Cerra os teus olhos e sonha... Em meio ao branco e preto, que o colorido se fará notar... E não alivies a alma, que de tão serena e mansa já não a deixará despertar!

Bruno Garcia

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Pranto





Hoje vou falar sobre meus sentimentos e me sinto um pouco estranho ao fazer este desabafo!
Parece-me estar em um palco, rodeado por olhares invisíveis... Juízes? Carrascos? Simplesmente amigos... Acredito piamente; Pois despir-me inteiramente, revelando minhas fraquezas, medos e frustrações é um tanto assustador!
Quem segue minhas postagens sabe que sou um romântico incorrigível e não quero me corrigir não, nem me desculpar por assim o ser, desejo mostrar como nesse momento sinto a falta de vivenciar o amor em sua pura essência!
Gostaria de dizer também que em sentido figurado, ouço muito sobre “cuidar do meu jardim”, “amar a mim mesmo acima de tudo”, “tudo tem sua hora para acontecer”... Sim! É válido e reconheço que estas frases, digamos “feitas”, tem seu respaldo e sentido inteiramente direcionados por experiências de outras pessoas e que se aplicam sobre outras tantas de forma consoladora e eficaz!
Eu gosto de mim, do meu jeito de ser, do meu modo de sonhar, do meu modo de agir quando possível em benefício a buscar meus próprios desejos!
Gostaria de entender o porque alguém como eu, que neste ponto, sem falsa modéstia, possuidor de tão bons sentimentos, vive sempre sozinho!
Eu procuro muitas respostas e não as encontro em nenhum lugar ou momento, passado ou atual!
Digo passado, pois, muitos poderão dizer que não se vive de passado... Concordo plenamente, mas ele é “presente” no presente, pois é a bagagem que faz a nossa história de vida!
E estar sozinho não é uma escolha minha! 
Existem pessoas que fazem esta escolha e são muito felizes em seu cotidiano, é uma forma de vida, seja escudo ou por vontade própria somente! Devemos viver de acordo com o que manda nosso estado de espírito ou mesmo uma filosofia que se segue ao pé da letra de modo que em nada se altere no dia-a-dia!
Sei das diversas formas de amor que existem e que estão ao alcance das mãos!
Mas falo do amor que pode existir entre duas pessoas, não creio que o homem ou a mulher foram feitos para viverem sozinhos, à margem de sua própria solidão!
Citando o tempo em sentido figurado, nos meus quase 43 anos, com descontos é lógico, só tive um relacionamento e no fundo foi mais um “engano” de minha parte! Tencionava viver um amor, paixão, ou relacionamento de namoro, seja lá que nome se queira dar, de uma forma tão necessitada que me entreguei de corpo e alma a uma pessoa que simplesmente usou meus sentimentos mais sinceros! 
Depois disso, o vazio... E não é dizer que devo me abrir, me permitir a novas vivências... Eu faço o que posso para preencher este vácuo que se formou em meu peito, este mesmo, que apesar de tudo é cheio de amor e carinho, tanto que me parece que vou explodir algumas vezes!
E não encontro quem deseja receber o que de tão bom trago dentro de mim!
Mas eu quero receber também, eu quero trocar estas energias que são tão importantes para o ser humano!
Já bati em muitas portas, já me humilhei, me deixei vencer pelo cansaço!
Sim, eu sou carente e muito, mas quando procuro razões para entender o que se passa comigo eu não encontro as explicações! Talvez elas nem precisem se fazer presentes, ou quem sabe... Alguém me dirá que sim!
O que vivenciei uma vez somente em minha vida e de forma tão negativa, não me serve de base para dizer que outras coisas boas estão para acontecer ou porque elas nunca acontecem!
Pode parecer negativismo, mas não... É uma realidade presente, pesada, sufocante!
Teoricamente sei que um simples namoro ou um relacionamento já com fortes alicerces envolve uma série de fatores que fazem parte naturalmente de qualquer relação: Brigas, ciúmes, desentendimentos e tantas outras coisas!
Mas eu desejaria viver todas estas tormentas, uma, duas ou quantas vezes fossem necessárias do que o nada!
O nada é muito triste!
Ao mesmo tempo em que você sabe que é digno, justo, idôneo e tem bons sentimentos, se perde por não encontrar a quem direcionar estas qualidades!
É como se você estivesse sentado em frente a um rio, vendo a água passar mansamente e nada se movesse ao redor, nem as folhas das árvores, até o silêncio dos pássaros que porventura estivessem presentes neste cenário desolador para uma alma que grita por algo que tanto deseja!
A dor é muito sutil, mas ao mesmo tempo muito forte, aguda... Não tem como descrever tal angústia!
Talvez para quem já viveu várias experiências ou vive atualmente, este texto pode parecer muito bobo e sem nexo! Poderão rir de mim e pensar que tolo eu sou... Talvez eu seja, mas na melhor das intenções! 
Quem escreve? Um adolescente? Não... Um homem que tem sentimentos!
As lágrimas marejam meus olhos, brotam espontâneas em minha face e não posso fazer nada!
Sou tão claro no que busco e é tão obscuro o que raramente tenho de retorno!
Não me envergonho de dizer que sangro internamente, o quanto peno imensamente por não poder amar e ser amado, ou, poder e querer amar... A quem?

Bruno Garcia

sábado, 9 de novembro de 2013

Estações





Quando a primavera sorriu para mim, me escondi qual criança assustada que se depara com situações inusitadas e me fechei dentro de um quarto escuro e nem sequer cogitei acender a luz para clarear minhas ideias e organizá-las! 
Quando chegou o verão, com seu calor escaldante, em que tudo se agita e o sangue aflora na face, o desejo de abraçar o mundo, de tudo conquistar, de alcançar o inimaginável...mais uma vez desci para o porão sombrio em que somente minha consciência habitava e não deixei ninguém ali penetrar, só uma pequena fagulha que "teimava" em clarear tudo e ensaiava tomar conta deste lugar abafado onde as lágrimas negavam o brilho dos raios do sol e impulsos naturais tão belos! 
Mas mesmo esse pequeno lampejo eu fiz questão de não se deixar alimentar e a fraca chama foi definhando pouco a pouco! 
Quando o outono chegou eu senti o vento frio e pela primeira vez me identifiquei com a natureza e vi as folhas de minha vida, dispersas pelo vento, serem varridas para algum lugar cinzento tal qual o céu nebuloso! Meus cabelos brancos e minhas forças começaram a faltar e não mais corri para o quarto escuro... para o meu porão sombrio! 
Eu sai às ruas e me deparei com tantas novidades, com uma vida que ainda não tinha vivido, que me dei conta de que estava perdido em um labirinto tão grande que mesmo tateando as paredes e rodando pelas imensas galerias parecia impossível encontrar a saída...estava no vazio e não clamei por ninguém! 
Como fugi de todos e de tudo só poderia contar comigo mesmo! E me dando conta de minha ignorância e falta de conhecimento de tudo, eu consultei meu coração, pois o mesmo, nem o medo poderia parar! 
E encontrei respostas favoráveis às minhas indagações de onde estou, como sou realmente e se ainda teria chances de recomeçar! 
Ele bateu descompassado, o que traduzi que se pode recomeçar do nada, mesmo que esse "nada" tenha durado praticamente uma vida inteira; Não se pode recomeçar todos os dias? Por que então não começar uma jornada jamais vivida? 
E não é fácil realmente, mas ter o mínimo de coragem para tentar me faz respirar mais aliviado, pois não posso recuperar a tonicidade de meus músculos pois meu corpo mudado e sem cuidados foi-se atrofiando... Mas ainda o tenho e se consigo me erguer e ficar em pé depois de tanto tempo, só espero que o inverno possa me aquecer, pois ele também é acolhedor como nunca e que a partir de então, todas as estações possam ser aproveitadas da melhor maneira possível! 

Bruno Garcia

sábado, 2 de novembro de 2013

Dubiedade




Caminhos que se cruzam e se distanciam; 
Palavras de amor que são ditas e se perdem no espaço; 
Sonhos não vividos que teimam em querer aflorar; 
Sorrisos distribuídos ao longo das avenidas; 
Chama que se apaga, mas que queima; 
Silêncio que responde a todas as questões; 
Coração aberto ao apelo do pulsar; 
Desenhos nas nuvens e estações delimitadas do amar.

Bruno Garcia

sábado, 26 de outubro de 2013

Vida




Se permitir olhar além, do que supostas aparências que enganam e subjugam os fatos!
Visualizar os pequenos milagres que a vida nos brinda diariamente;
Sonhar, mesmo que o sonho não se realize... A esperança sempre desponta!
Amar, pois um coração sempre pode pulsar novamente!
A dor existe, as aparências enganam, os sonhos se desfazem... Mas antes de tudo se permitir VIVER, pois entre acertos e erros, aquele simples gesto que não foi notado ou demonstrado, poderia ter se tornado o mais belo de toda sua existência!

Bruno Garcia

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Plenitude




Em meu silêncio interior escuto todas as vozes que me habitam;
Algumas zombam de mim, outras demonstram reticências;
Outras me acolhem as súplicas e fazem ecoar por imensos paralelos entre a razão e a emoção... A insensatez!
Mas eu não me importo de viver os sentimentos em plenitude, pior seria o nada... o vazio de um peito abandonado.

Bruno Garcia